Historicando

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13 março 2013

Papa Francisco I.

O cardeal - arcebispo argentino, Jorge Mario Bergoglio, foi eleito o novo papa com o nome Francisco I.



Papa Francisco I


Papa Francisco I pede fraternidade na Igreja e reza por Bento XVI.
Hoje deu-se a eleição do cardeal argentino Jorge Bergoglio como Papa. Adoptou o nome de Francisco.
O papa Francisco I apelou hoje à fraternidade na Igreja e rezou pelo seu antecessor, o papa emérito Bento XVI, nas suas primeiras palavras na varanda da basílica de São Pedro.
"Parece que os cardeais foram procurar o novo pontífice no fim do mundo", declarou o novo Papa, o argentino Jorge Mário Bergoglio.
Este é o primeiro papa latino-americano e é também o primeiro jesuíta a tornar-se Papa.
Francisco I convidou os fiéis "a tomarem o caminho da fraternidade, do amor" e "da evangelização" e pediu à multidão congregada na praça de São Pedro um minuto de silêncio: "Rezem por mim e dêem-me a vossa bênção".




ALMA, o maior telescópio do mundo – O mistério das coisas visíveis


A 13 de Março de 2013 é inaugurado o telescópio ALMA – Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, o mais poderoso telescópio já criado. Foi construído no deserto de Atacama, Chile – uma zona de atmosfera seca e rarefeita, a 5000 m de altitude, com condições excepcionais para as observações astronómicas, como se pode ver por esta imagem assombrosa da Via Láctea.
O ALMA, o maior telescópio do mundo, que abre uma nova janela de observação para as distâncias mais longínquas do universo, foi inaugurado no deserto de Atacama, no Norte do Chile.
O ALMA, que se iniciou em Setembro de 2011 e que decorreu até agora, com a utilização de apenas 16 antenas. Nesta altura, quando acaba de ser inaugurado, tem já 57 das 66 que vai integrar quando ficar completo, no final deste ano.
É um super telescópio, na verdade são 66 telescópios (antenas) a funcionar em conjunto e apontados para o céu, num deserto do Chile. O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) é literalmente uma infra-estrutura astronómica internacional.
“Espera-se que o ALMA revolucione o conhecimento da astronomia. Para muitas das perguntas que existem hoje, o ALMA será o primeiro a dar respostas”.
A inauguração do maior radiotelescópio do mundo pode ser seguida no site ttp://www.almaobservatory.org/




A ORGANIZAÇÃO DO FUTURO


Quando se trata de organizar o futuro existem quatro regras fundamentais que é necessário cumprir.
A primeira é a da simplicidade. A arte do planeamento está na capacidade de simplificar a fim de que todos possam compreender. Bombardear as pessoas com textos confusos, provenientes de várias fontes de informação, estabelece confusão.
A segunda regra é a da verdade, quer dizer, deve existir uma coerência absoluta entre os princípios que se anunciam e a prática que se lhes segue. Por exemplo, se se anuncia a promoção de medidas tendentes à eliminação de qualquer descriminação por razões de género não se deve, depois, pura e simplesmente, eliminar as mulheres da equipa que se constitui.
A terceira é o planeamento. Só se pode planear aquilo que se controla. Tentar planear aquilo que não se controla é um mero exercício de inutilidade.
A quarta é o conhecimento. Assim:
(1º) promover a simplicidade para que o possam compreender;
(2º) respeitar a verdade como garante da sua credibilidade;
(3º) prometer só aquilo que controla a fim de poder cumprir;
(4º) ser possuidor dos conhecimentos necessários às funções que se pretendem desempenhar.
http://www.pt.cision.com/O4KPTWebNewLayout/ClientUser/GetClippingDetails.aspx?id=551f027c-557a-4c67-9e2a-bd99551d4be7&analises=1


12 março 2013

Governo estuda fim de todos os troços grátis nas auto-estradas


Pórticos devem desaparecer e ser instalado sistema electrónico. Todos os carros terão de ter um chip semelhante ao da Via Verde.
Os pórticos deverão desaparecer mas, em contrapartida, todas as entradas e saídas vão ser debitadas aos automobilistas, através de um sistema electrónico como a Via Verde.
Isto significa o fim dos pórticos e a instalação de controladores electrónicos em todas as entradas e saídas das auto-estradas. Ou seja, deixa de haver troços grátis. Todos os automóveis pagarão exactamente os quilómetros que andarem, sem descriminação de qualquer zona livre de portagens ou mais carregada de pórticos.
http://www.tvi24.iol.pt/503/economia---troika/portagens-autoestradas-scut-via-verde/1428775-6375.html

PCP rejeita coligação autárquica


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, rejeitou hoje qualquer coligação autárquica, como foi proposto pelo PS para as eleições de Outubro próximo.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620744

Encontrado fóssil orgânico em meteorito


Um novo relatório alega ter detectado a presença de microrganismos fossilizados em fragmentos de um meteorito que caiu na Terra no ano passado. Os autores argumentam que se trata de uma prova da existência de vida alienígena.
Depois de uma primeira investigação sobre o meteorito que caiu no Sri Lanka em Dezembro, em que os próprios autores reconheceram que não tiveram tempo para realizar uma série de testes vitais, o professor Chandra Wickramasinghe, do centro de astrobiologia de Buckingham, e a sua equipa dizem ter novos dados.
O novo estudo, publicado no Journal of Cosmology, torna a insistir na ideia da prova de vida extraterrestre.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620727







Lourenço Marques - anos 50/ 60

http://www.malhanga.com/CAV-LM/index.html

Governo arrisca ter de devolver contribuição a pensionistas?


Todas as decisões do Constitucional têm efeitos retroactivos, a menos que haja indicação em contrário. Se a CES for ilegal, Estado pode ter de devolver verbas.
Se o Tribunal Constitucional sentenciar que a contribuição extraordinária de solidariedade (CES) viola a lei fundamental, os pensionistas verão restituído o dinheiro que já descontaram? Teoricamente, e se nos ativermos ao que tem sido o padrão do tribunal, sim. Na prática, os juízes podem voltar a dar alguma "clemência" aos cofres públicos.
Sempre que os juízes do Palácio Ratton proferem uma sentença, a regra é que ela tenha efeitos retroactivos. Isto é, que a norma seja declarada inconstitucional desde a data em que entrou em vigor. Em normas com incidência financeira, tal significa que o Estado está obrigado a repor as verbas indevidamente arrecadadas.
Contudo, os juízes têm ao seu dispor mais dois instrumentos.
Um deles é dizerem que a inconstitucionalidade só produz efeitos a partir do momento em que a sentença for publicada. Este é um expediente que a lei fundamental prevê expressamente, e que é usada quando a decisão aparece já passados muitos anos sobre a entrada em vigor de uma lei. É o caso da inconstitucionalidade de um imposto que só surge dez anos depois da sua criação.
Uma terceira via que o Constitucional pode seguir, e que foi inaugurada apenas em 2012, passa por projectar os efeitos da inconstitucionalidade para o futuro, como aconteceu com o Orçamento do Estado do ano passado, em que os juízes decidiram deixar que o Governo mantivesse os cortes nos subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos e reformados, apesar de considerar que violavam a lei fundamental.
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2013/03-12/0/5_2012810_7A6A20FDF4CD6EEAA43D40031F69A839.pdf


Universidade de Lisboa vai produzir energia a partir do sol


Começaram, hoje, a funcionar as primeiras centrais foto voltaicas que vão permitir à Universidade de Lisboa produzir energia a partir da energia solar. O projecto, em parceria com a Galp Energia, pretende instalar, até Outubro, dez mil painéis na instituição.
Arranca, hoje, o projecto Campus Sustentável - Universidade Verde, que junta a Universidade de Lisboa e a Galp Energia e que tem por objectivo produzir energia a partir do sol. Nesta primeira fase, foram instaladas quatro centrais de produção de energia eléctrica, com mais de dois mil painéis foto voltaicos.
O objectivo do projecto é, até Outubro, ter cerca 10 mil painéis instalados na cobertura dos edifícios, suficientes para abastecer 1600 famílias por ano a uma «tarifa bonificada», já que a energia produzida não será para auto consumo.
O projecto está integrado no plano de Sustentabilidade ambiental da Universidade de Lisboa e é pioneiro a nível universitário em Portugal.
Além da instalação de centrais foto voltaicas, o projecto contemplou ainda a construção de uma cobertura ajardinada, povoada por vários géneros botânicos, que faz a ligação entre dois edifícios da Faculdade de Ciências, que servirá para proteger os edifícios, fazer a retenção de precipitações no inverno e verão e sequestrar carbono na biomassa vegetal.
http://www.clipquick.com/Files/Internet/2013/03-12/0/7_202962_30AFF24FA1666858895981FE01C7A677.pdf


11 março 2013

Cristãos no mundo: quantos são e onde estão

Cristãos no mundo: quantos são e onde estão

A economia parou


Vendas de bens e serviços ao exterior começaram a cair ao mesmo tempo, indica INE Recessão da zona euro vai continuar, disse o BCE.
O chamado motor da economia portuguesa 'parou'. As exportações de bens e serviços terminaram 2012 a cair, registando uma redução homóloga de 0,5% no último trimestre do ano passado, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE). Não acontecia em ambas as rubricas desde meados de 2009.
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO112217.html



Meteorito no Alentejo


Rochas espaciais. Vê-se de imediato que não é uma pedra qualquer. Com pouco mais de 20 centímetros de diâmetro, tem uma cor baça e um jeito arredondado, muito lisa de um lado, ondulada do outro. Sobretudo, é muito pesada para o seu tamanho, mas isso só se percebe quando se tenta pegar-lhe: quase não se move do sítio. Caiu no Alentejo, perto do Alandroal, há quase 45 anos, e é "meteorito estrela" do Museu Nacional de História Natural, de Lisboa. Mas não é o único que a geóloga e investigadora Liliana Póvoas, daquele museu, tem ali à sua guarda: há outros dois. No seu conjunto, constituem metade dos que nos tempos modernos, e de maiores dimensões, cruzaram os céus e tombaram, com grandes clarões e estrondos assustadores, em solo português – ou quase. Estas são as histórias das três rochas espaciais portuguesas que estão no museu, resguardados de agressões ambientais e, portanto, também dos olhares, mas que poderão ser vistos a pedido. Uma réplica da "bola de ferro" que caiu junto ao Alandroal, em 1968, integra aliás a mostra Aventura da Terra', que está patente no museu. É ir até lá.
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2013/03-10/0/5_2012146_78E75586C4CFC1D90A6B9A2756A230B4.pdf

10 março 2013

Tudo relacionado


Juncker: «Os demónios de uma guerra europeia estão apenas a dormir»
http://diariodigital.sapo.pt/

Filósofo José Gil alerta para a possibilidade dos protestos darem origem a violência
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/filosofo-jose-gil-alerta-para-possibilidade-protestos-darem-origem-violencia-1587251

França diz que não haverá mais austeridade em 2013
http://economico.sapo.pt/noticias/franca-diz-que-nao-havera-mais-austeridade-em-2013_164455.html

Offshore do BPP e BCP tinha como accionista um tio de Sócrates
http://economico.sapo.pt/noticias/offshore-do-bpp-e-bcp-tinha-como-accionista-um-tio-de-socrates_164464.html

CEO do Barclays recebeu 2,6 milhões de euros em 2012
http://economico.sapo.pt/noticias/ceo-do-barclays-recebeu-26-milhoes-de-euros-em-2012_164421.html

Os milionários do Congresso comunista chinês
http://economico.sapo.pt/noticias/os-milionarios-do-congresso-comunista-chines_164459.html

Suíços favoráveis à redução de diferenças salariais nas empresas
http://www.publico.pt/economia/noticia/suicos-favoraveis-a-reducao-de-diferencas-salariais-nas-empresas-1587257


09 março 2013

Lead


Governo não conseguiu extinguir 27 fundações
http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-nao-conseguiu-extinguir-27-fundacoes-1587139

Aguiar-Branco: Troika em Portugal mais dois dias é «sinal positivo»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=620164

Mulher «viola» homem bêbedo deitado no chão
http://www.tvi24.iol.pt/503/acredite-se-quiser/tvi24-sexo-insolito-china-acredite/1427488-4088.html

Lucro da Sonaecom cresce 21% para 75,4 milhões
http://economico.sapo.pt/noticias/lucro-da-sonaecom-cresce-21-para-754-milhoes_164436.html

Grécia: "Não haverá mais austeridade"
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO111197.html

Constitucional estuda taxa sobre pensões há 67 dias
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO111093.html


08 março 2013

Troika adia partida


A troika e o Governo estão a preparar mais cortes nas pensões, acabar com meio salário ou um salário inteiro na função pública ou baixar os salários por via do aumento de impostos?
Troika adia partida por falta de acordo sobre cortes.
Não há acordo sobre cortes de quatro mil milhões de euros.
Em causa estarão os cortes relacionados com a despesa com a Função Pública.
http://www.publico.pt/economia/noticia/troika-adia-partida-por-falta-de-acordo-sobre-cortes-1587038

Camilo Lourenço não tem razão


O erro dos sistemas educativos é centrarem-se em ensinar os alunos de ciências a controlar, a prever, a verificar e a testar dados. Não ensina, como devia, a navegar em futuros desconhecidos. O que é essencial vem das humanidades: aprender a analisar.
Devíamos contratar mais gente de humanidades.
"Mas quem precisa de licenciados em História, essa corja de inúteis, que conduziu o país à ruína durante décadas de governação?
E qual é a utilidade de professores se não fazem falta? E das escolas que formam “pessoas que não servem para nada”!
O que precisamos é de economistas e engenheiros, sobredotados por natureza!
(…)
Então é assim: eu acho que os economistas que temos são uns inúteis e incompetentes, pois foram eles que nos conduziram ao ponto em que estamos, em aliança com políticos medíocres e opinadores “especializados” da treta.
Para mim, para evitar tribunal, diria que é uma opinião que se move na área do detrito intelectual com direito a multiplicação comunicacional.
E que me venham dizer que isto é um ataque ad hominem." 
Posted by Paulo Guinote, Fevereiro 25, 2013, A Educação do meu Umbigo


A alternativa existe: promover o desenvolvimento, reduzir as desigualdades, erradicar a pobreza e a exclusão social


Uma política que reduza as desigualdades económicas e promova a inclusão social pressupõe igualmente a valorização do trabalho, rejeitando um modelo de desenvolvimento assente nos baixos salários e na subordinação dos direitos dos trabalhadores no quadro das relações laborais. O aumento do salário mínimo nacional constitui, nesse contexto, uma exigência não somente para a correcção das desigualdades mas igualmente para a inversão do ciclo de empobrecimento e de estagnação económica.
Uma política que reduza as desigualdades económicas e promova a inclusão social pressupõe que os esforços necessários à superação da actual crise sejam repartidos de forma justa, preservando os recursos das famílias e dos indivíduos em situação de maior precariedade.
Uma política que reduza as desigualdades económicas e promova a inclusão social pressupõe uma intervenção activa do Estado enquanto elemento corrector das insuficiências do mercado em matéria de equidade, quer através do aumento da abrangência do sistema fiscal, quer pela manutenção ou mesmo pelo acentuar da sua progressividade.
Uma política que reduza as desigualdades económicas e promova a inclusão social pressupõe um papel activo e consequente das políticas sociais no combate às situações de pobreza e de exclusão social Não basta criar planos de emergência social. É necessária a redefinição de uma estratégia integrada de combate à pobreza e exclusão social com objectivos e metas claras, e instrumentos adequados à sua concretização. O aumento da eficiência das políticas sociais tem de caminhar a par do incremento da sua eficácia, da sua capacidade de resposta às situações de maior precariedade.
A definição de medidas concretas de combate à pobreza infantil constitui hoje uma necessidade inadiável. Como o recente estudo da Caritas Internacional o demonstra, as crianças estão entre os sectores da população mais severamente atingidos pelos efeitos das políticas de austeridade.
Mas uma política que reduza as desigualdades económicas e promova a inclusão social não pode ser feita exclusivamente através das políticas sociais de apoio aos mais desfavorecidos. O reforço dos níveis de qualificação da população portuguesa constitui, como o demonstram vários estudos, um instrumento decisivo para o atenuar dos factores de pobreza, para o quebrar do ciclo de transmissão intergeracional da mesma, para a redução das desigualdades.
Assumir o combate à pobreza e à exclusão social como um desígnio nacional implica igualmente o envolvimento do conjunto dos cidadãos e das instituições da sociedade civil nesse combate. Particularmente relevante é, nesse contexto, o papel desempenhado pelas instituições sociais, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) ou organizações não-governamentais [ONG], Na ausência da intervenção do Estado, muitas vezes são estas instituições que se assumem como a primeira linha de defesa dos mais desprotegidos. Uma política social efectiva de combate à pobreza tem de ser capaz de se articular com estas instituições, potenciando sinergias e enquadrando-as na efectivação dos direitos sociais.
Nesse contexto, a reivindicação de políticas activas de combate à pobreza passa igualmente pelos espaços socioeconómicos externos em que Portugal está inserido. Em particular, Portugal deve assumir um papel mais pró-activo na definição e aprofundamento da estratégia Europa 2020 no âmbito da inclusão social.
Também aqui a política seguida pelas autoridades portuguesas desde 2010 tem sido extremamente negativa. O nosso país não somente abdica de uma participação activa na definição dos objectivos e dos instrumentos da política social europeia como parece reivindicar um regime de excepção que o isente do cumprimento das metas já definidas na União Europeia de redução da pobreza e da exclusão social a pretexto da crise actual e dos acordos assinados com a Troika.
Uma efectiva inserção na estratégia europeia de redução da pobreza, pugnando pelo seu cumprimento e contrariando aqueles que, também a nível europeu, a querem reduzir a «parente pobre» da política económica constitui hoje um imperativo nacional.
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2013/03-01/2/5_2011469_6B91FD1817B663E68938533DF6E5A716.pdf

Portugal: um país profundamente desigual e com elevadas taxas de pobreza


Entre 1993 e 2009, período para o qual existem séries estatísticas anuais suficientemente detalhadas para avaliar e quantificar a pobreza e as desigualdades económicas no nosso país, Portugal registou avanços significativos na redução da pobreza e da desigualdade social. A taxa de pobreza registou uma diminuição de 4,7 pontos percentuais, passando de 22,5% da população em 1993 para 17,9% em 2009. A intensidade da pobreza, uma medida de quão pobres são os pobres, reduz-se em cerca de 44%, traduzindo uma clara diminuição da pobreza extrema.
Particularmente significativa foi a evolução ocorrida na taxa de pobreza dos idosos, que passou de cerca de 40% em 1993 para um valor próximo dos 21% em 2009.
O rendimento por adulto equivalente subiu, em termos reais, cerca de 35%. Todos os decis viram subir o seu nível de rendimento médio. No entanto, os indivíduos situados no 1° decil da distribuição (os 10% mais pobres) viram os seus rendimentos reais por adulto equivalente mais do que duplicados ao longo dos anos em análise. O índice de Gini reduziu-se em cerca de cinco pontos percentuais entre 1993 e 2009.
Apesar destes ganhos, Portugal permaneceu um dos países da União Europeia com maiores níveis de desigualdade e com indicadores de pobreza claramente acima da média comunitária.
Perceber os principais determinantes dos resultados alcançados e simultaneamente o porquê do seu âmbito limitado constitui um elemento fundamental para entendermos a interdependência entre desigualdade e pobreza em Portugal e as fragilidades do nosso modelo de crescimento e de protecção social que subsistiram e que a presente crise veio realçar.
Por um lado, os ganhos alcançados na redução da pobreza e no atenuar das desigualdades estão fortemente associados às melhorias registadas na situação económica dos primeiros decis da distribuição de rendimento, as quais não podem ser dissociadas das políticas sociais entretanto implementadas como o rendimento social de inserção (RSI), o complemento solidário para idosos (CSI), etc. Por outro lado, a manutenção de um modelo dual de funcionamento da economia, assente predominantemente em baixos salários mas com níveis remuneratórios extremamente elevados na parte superior da distribuição, é gerador de elevados níveis de desigualdade salarial e de um número significativo de trabalhadores pobres (working poors).
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2013/03-01/2/5_2011469_6B91FD1817B663E68938533DF6E5A716.pdf

As políticas de combate à crise e o acentuar das desigualdades e da pobreza


Desde o eclodir da presente crise, e mais acentuadamente após a assinatura do acordo de estabilização entre o Estado português e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e instituições europeias, a política de austeridade seguida tem tido como vectores determinantes a contenção dos rendimentos salariais, o retrocesso generalizado das transferências sociais e, mais recentemente, o aumento da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e sobre o consumo, e a diminuição da progressividade do sistema fiscal.
Através de diferentes mecanismos, estas políticas traduzem-se inequivocamente num agravamento das desigualdades económicas, num aumenta das assimetrias na distribuição do rendimento, num acentuar das situações de pobreza preexistentes e na criação de novas bolsas de pobreza, resultantes do empobrecimento acentuado de largos sectores da população até então relativamente imunes à pobreza.
Por um lado, enfraquecem-se os instrumentos com capacidade redistributiva (diminuição da progressividade do sistema fiscal, estímulo à fuga e à evasão fiscal), por outro acentua-se directamente o incremento das desigualdades através da desvalorização do «factor trabalho».
As actuais políticas de austeridade assentam na premissa errada de que os portugueses viveram acima das suas possibilidades e têm como objectivo quase explícito a necessidade do empobrecimento da população. Ao promoverem a conflitualidade social entre portugueses, funcionários públicos face a trabalhadores no sector privado, jovens e assalariados versus pensionistas, estas políticas debilitam a coesão social e fragilizam o próprio regime democrático. A política social de combate à pobreza e à exclusão social é fortemente debilitada e desvirtuada. De um modelo assente na afirmação dos direitos e numa perspectiva de inclusão social passa-se claramente para um sistema que privilegia o apelo à caridade e à emergência social, substituindo a solidariedade social pelo assistencialismo e promovendo a desresponsabilização do Estado.
Os dados oficiais já disponíveis, referentes à distribuição do rendimento em 2010, ainda que provisórios, confirmam a inversão de tendência acima referida.
As primeiras medidas de austeridade implementadas, ainda antes da assinatura do acordo com a Troika, traduziram-se num agravamento do índice de Gini em meio ponto percentual entre 2009 e 2010. Traduzem-se igualmente num retrocesso da linha de pobreza até então inédito em Portugal. A linha de pobreza que era, em 2009, de 434 euros/mês para um indivíduo isolado reduz-se, em 2010, para 420 euros. A taxa de pobreza oficial mantém-se praticamente inalterada. No entanto, se utilizássemos o valor real da anterior linha de pobreza como limiar separador entre pobres e não pobres (linha de pobreza ancorada em 2009) a taxa de pobreza evidenciaria um agravamento de 9,5%, passando de 17,9 para 19,6%.
É lícito antecipar, dadas as medidas entretanto implementadas, que o agravamento das desigualdades e da pobreza se tenha mantido e reforçado no nosso país em 2011/2012. Na ausência de estatísticas oficiais actualizadas, a informação disponibilizada por um grande conjunto de organizações não-governamentais (ONG) que prestam apoio às populações mais carenciadas é inequívoca quanto ao aumento das famílias e dos indivíduos que a elas recorreram.
A exigência de uma política económica que promova a redução das desigualdades e da pobreza coloca-se não somente como uma questão de justiça social mas igualmente enquanto elemento constituinte da reivindicação de um modelo de desenvolvimento que tenha em conta as necessidades de todos os elementos da sociedade, a valorização do trabalho e um modelo de funcionamento da economia que seja simultaneamente mais eficiente e mais justo.
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2013/03-01/2/5_2011469_6B91FD1817B663E68938533DF6E5A716.pdf